Por que Tom Brady não saiu do college em alta?

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Mais um Super Bowl se aproxima e, mais uma vez, o New England Patriots do quarterback Tom Brady – atual campeão da NFL – chega à grande final do futebol americano profissional. Brady, na sua 18ª temporada na NFL, está em busca do seu sexto título após ter sido quatro vezes MVP do Super Bowl no passado e líder em jardas aéreas desta temporada. O marido da Gisele  signal caller dos Patriots já está no rol dos maiores jogadores de todos os tempos ao nível profissional, e parece ter um apetite insaciável para quebrar recordes históricos.

No entanto, sua carreira no college football passou longe de ter o mesmo brilhantismo; o resultado foi que, mesmo egresso de Michigan, ele teve pouca visibilidade quando se declarou para o draft em 2000 e acabou sendo escolhido apenas na sexta rodada, com a nada honrosa 199ª escolha. Mas afinal, é hora de responder a pergunta que não quer calar há quase 18 anos: o que levou Brady a ser preterido por tanto tempo no draft, a ser escolhido apenas como backup para uma equipe que já tinha um quarterback estabelecido (os Patriots do então titular Drew Bledsoe)?

Agora, no Documento Trolóló no The Fraternity.

A carreira de Tom Brady em Michigan

Para começar a responder essa pergunta, é necessário voltar até o ano de 1995. Vindo da Junípero Serra High School na cidade de San Mateo, Califórnia (subúrbio de San Francisco), Tom Brady muda-se para Michigan para ingressar no programa dos Wolverines – que tinha um recém-chegado Lloyd Carr como novo treinador. Não havia tanta mídia em cima do recrutamento de jogadores vindos do high school como hoje mas, baseando-se no fato de que ele chegou a ser considerado um High School All-American e também ter tido ofertas de potências californianas como UCLA e USC, pode-se dizer que Brady era um prospect de quatro estrelas em termos atuais.

Tom Brady como quarterback de Michigan

Brady usou a redshirt em seu primeiro ano em Ann Arbor, com sua primeira temporada efetiva no roster dos Wolverines em 1996. Nesse período, o quarterback chegou a cair até a sétimo posição no depth chart da equipe. Enquanto Brady sofria para conseguir um lugar em Michigan (jogou apenas duas partidas nos primeiros dois anos no time e pensou em transferir-se para Cal, programa do coração de seu pai), os Wolverines trilhavam caminhos de glória. No ano seguinte (1997), Brady viu das sidelines Michigan vencer o National Championship de forma invicta, numa equipe liderada pelo quarterback Brian Griese e o multifacetado jogador de ataque/defesa/special teams Charles Woodson. 

Após Griese declarar-se para o Draft em 1998, parecia que Tom Brady finalmente teria seu lugar ao sol no college football, mas não foi fácil chegar ao posto de titular. Após uma batalha ferrenha com Drew Hanson nos primeiros jogos da temporada, Brady finalmente tornou-se starter – não só pelo resto daquele ano mas também durante 1999, sua temporada de senior; este ano foi especialmente marcado por algumas performances marcantes do atual jogador dos Pats.

Brady teve no final daquela temporada suas melhores apresentações na carreira universitária, chamando a atenção de (alguns) olheiros da NFL. As viradas que conduziu contra Penn State, no último jogo da tabela regular contra Ohio State e no memorável Orange Bowl de 2000 contra Alabama deram a Brady seu primeiro apelido: “The Comeback Kid.”

Durante sua carreira em Michigan, Brady conseguiu números que os colocam entre os melhores quarterbacks da história do programa: terceiro em passes completos (442), quarto em jardas aéreas (5351) e porcentagem de acerto (62,3%) e quinto em passes para touchdown (35). Entretanto, nem sua habilidade para ser clutch e muito menos seus números no college colocaram Brady entre os signal callers mais cotados para o Draft da NFL em 2000.

Foto (ou seria mugshot?) de Tom Brady durante o Combine da NFL em 2000

Analisando Brady vs. outros quarterbacks da classe 2000

A classe de quarterbacks daquele ano era notoriamente fraca – no papel; como uma imagem pode explicar muito melhor a situação daquele draft, vale relembrar a lista de jogadores desta posição escolhidos antes de Brady em 2000:

Destes, apenas Pennington e Bulger conseguiram um período razoável como titulares na NFL. Mas a realidade era bem diferente; de acordo com os scouts em 2000, estes dois (especialmente o primeiro) tinham mais chances de progredirem ao nível profissional que Brady. O ex-Wolverine, embora pareça o protótipo ideal de quarterback aos nossos olhos hoje, era fadado ao fracasso na NFL segundo diversos fatores, como mencionados por estes mesmos olheiros:

  • Magro demais;
  • Pouca massa muscular;
  • Falta de força e altura para a posição;
  • Falta de mobilidade;
  • Incapaz de completar passes longos;
  • Incapaz de fazer um passe com uma espiral perfeita na bola;
  • Jogador de sistema, pode ficar exposto se tiver que improvisar;
  • Vai para o chão com facilidade sob pressão.

Estes fatores, aliados ao Combine horrendo – com direito a uma corrida de 40 jardas feita em 5,28 segundos e um salto vertical de apenas 62,2 centímetros – ajudaram Brady a ficar bem longe dos holofotes naquele draft, como uma jóia a ser encontrada e lapidada pelo New England Patriots. Equipes como o New York Giants (que vinha de um 7-9 no ano anterior e alguns problemas na posição) nem tinham Brady no seu board.

Até hoje a escolha de Brady pelos Patriots é considerada o maior steal (barganha) da história do Draft da NFL. E uma lição de que paciência – e um trabalho bastante diligente – pode superar as expectativas (às vezes mais baseadas em puro achismo do que em propriamente desempenho em campo) dos olheiros da NFL. Sim, uma escolha de sexta rodada ter uma longa carreira na liga e buscar seu sexto título após 18 temporadas é possível.

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