A relação entre Kendrick Lamar e o college football vai além do show do intervalo

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O mundo do college football recebeu uma grata surpresa quando, em dezembro, foi anunciado que o show do intervalo na final nacional não seria de Taylor Swift, como a imprensa americana tinha divulgado anteriormente, mas sim do rapper Kendrick Lamar. O artista, que nasceu em Compton e possui 30 anos de idade, é o principal nome da década no gênero, com seu álbum mais recente, DAMN., tendo vencido vários prêmios e indicado ao próximo Grammy nas categorias Álbum do Ano e Melhor Álbum de Rap.

As letras de Kendrick são bastante politizadas e com profundo significado, muitas vezes fazendo referência a acontecimentos da juventude do cantor em Compton. Dessa forma, o The Fraternity separou trechos das músicas em que sua aplicação poderia remeter a algum fato do college football.

  1. Money trees is the perfect place for shade and that’s just how I feel […] A dollar might just make that lane switch, that’s just how I feel (Kendrick Lamar – Money Trees)

O coaching carousel de dezembro é sempre um evento marcante e caótico no futebol americano universitário; no entanto, 2017 foi o ano onde os limites de loucura foram estourados. Nada menos que 12 universidades adentrarão a temporada seguinte com um novo líder nas sidelines. E um número que chama ainda mais atenção é a combinação dos buyouts de todos os head coaches (e diretores atléticos) que foram demitidos: aproximadamente 87 milhões de dólares. Isso só para as demissões.

A relação com o verso de Kendrick é puramente financeira: alguns treinadores, como Jimbo Fisher (Florida State > Texas A&M), Dan Mullen (Mississippi State > Florida) e Willie Taggart (Oregon > Florida State) já possuíam trabalhos badalados e dentro do Power Five; quando dezembro chegou, contudo, os três rumaram em outra direção por conta dos altos salários que lhes foram oferecidos.

2. “Bitch sit down, be humble (Kendrick Lamar – Humble)

Logo após o fim do histórico Rose Bowl na última segunda-feira, um vídeo começou a ganhar notoriedade no Twitter envolvendo o quarterback Baker Mayfield de Oklahoma e o linebacker Davin Bellamy de Georgia. O defensor dos Bulldogs – que cederam 48 pontos no duelo – grita “humble yourself” em direção à Mayfield, que passava em sua frente e parabenizava os adversários pelo triunfo. Sabe-se que o líder dos Sooners possui um comportamento bastante confiante em si mesmo, de modo que alguns oponentes consideram-no arrogante. Por isso, Bellamy certamente sentiu prazer em dizer algumas palavrinhas ao quarterback adversário ao fim da partida.

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3. “Don’t tell a lie on me, I won’t tell a truth about you (Kendrick Lamar – The Heart Part IV)

A NCAA é uma organização sob a qual os alunos jogam na condição de amadores e, portanto, não podem receber dinheiro à nível universitário – a restrição sobre isso é bastante pesada. Ainda assim, é de conhecimento público que grande parte das universidades cometem violações às várias políticas de restrição da organização, como por exemplo a distribuição de artigos e dinheiro a vários recruits com o objetivo de garantir que eles atuem pela faculdade. O X da questão é que, embora se saiba que a grande maioria das mesmas cometem tais violações, nem todas são pegas e/ou denunciadas.

4. “Travel ‘round the atlas in this spaceship […] The devil’s pie is big enough to justify the whole thing (Kendrick Lamar – The Heart Part IV)

Se lembram quando os satellite camps de Michigan criaram polêmicas com os outros treinadores da nação? Isso porque, na visão dos mesmos, Jim Harbaugh e os Wolverines os utilizavam como uma espécie de recruiting camp numa época em que o recrutamento de novos jogadores ainda não era permitido pela NCAA.

A relação com o verso de Kendrick aqui se encaixa no fato de Harbaugh ter viajado por quase todo o mundo abrigando esses camps. Além de realizá-los por quase todos os Estados Unidos, o líder do programa de Michigan sediou alguns desses na Samoa Americana e na Austrália. Para os Wolverines, não há limites para o trabalho duro.

5. “I can feel the changes, I can feel the new people around me just wanting to be famous. You can see that my city found me, then put me on stages. To me, that’s amazing (Kendrick Lamar – Bitch, Don’t Kill My Vibe)

Pra muitos jogadores, que vem de famílias pobres e de áreas menos favorecidas das cidades, o ajuste à vida no campus pode ser algo difícil. Quando se torna um jogador de futebol americano, a fama nas universidades é algo que vêm rápido. Se para alguns é difícil se adaptar – Dede Westbrook, antigo WR de Oklahoma, por exemplo, costumava vomitar antes de quase todos os jogos em sua primeira temporada com os Sooners -, para outros à chegada ao sucesso é algo maravilhoso.

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6. “Bitch, were you when I was walking? Now I run the game, got the whole world talking (Kendrick Lamar – King Kunta)

Todos os anos, algum treinador de uma universidade menos popular, geralmente pertencente ao Group of Five, é contratado como o grande salvador de algum programa do Power Five. Alguns desses treinadores, contudo, começam a carreira muito mais baixo do que como treinador principal em algum programa de nível baixo da FBS: Brian Kelly, que atualmente comanda Notre Dame, teve como primeiro trabalho no college football o posto de treinador de linebackers em Assumption, um programa que faz parte da DII da NCAA. Outro bom exemplo é Chip Kelly que, muito antes de ter passagens por Oregon e pela NFL, passou 17 anos como treinador em equipes da FCS.

7. “I’m so high, I might touch the sky, I know it’s my time and it’s now or never (Kendrick Lamar ft. Mary J. Blige – Now Or Never)

Não é tão difícil imaginar um torcedor de Georgia cantando essa música atualmente, tendo em vista que os Bulldogs estão a apenas um passo de conquistar o primeiro título nacional desde o ano de 1980. Na histórica temporada atual, o time venceu a conferência pela primeira vez em doze anos e bateu Oklahoma num histórico Rose Bowl que marcava uma das semifinais dos playoffs e que teve até mesmo dupla prorrogação. A universidade chegou também a liderar o ranking do College Football Playoff ao longo do ano, qualificando-se para a pós-temporada na terceira colocação do mesmo.

8. “And the whole world is going mad, daddy, it’s sad, daddy. My only advice? Go and get you a bag, daddy (Kendrick Lamar – The Heart Part IV)

Além da surpreendente boa temporada, a universidade de Miami chamou a atenção durante o ano pelo uso do acessório que ficou conhecido como Turnover Chain: quando os jogadores da defesa dos Hurricanes roubavam a bola dos adversários, eles tinham direito a usar o acessório – que é banhado a ouro e possui um gigante símbolo da faculdade no meio – na sideline. Ao longo das 13 partidas de Miami no ano, foram 31 turnovers forçados.

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Não é preciso dizer que os adversários não gostavam muito de quando isso acontecia, e até mesmo os treinadores adversários não eram os maiores fãs da brincadeira: no Orange Bowl, após Wisconsin consolidar a vitória sobre Miami, as câmeras flagraram Paul Chryst, treinador principal dos Badgers, proferindo a frase “Turnover chain my f*cking ass!” em clara referência à corrente que os jogadores utilizavam na timeline.

 

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