Army e Navy – Um passeio pela rivalidade mais ufanista possível

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Quer coisa mais estadunidense que colocar frente a frente duas de suas forças armadas jogando futebol americano, esporte extremamente ligado à conquista de território (jardas)? Bem-vindos ao clássico mais patriótico possível: Army e Navy!

Como já é tradicional nos EUA, a temporada regular do futebol americano universitário é concluída com essa rivalidade. Através deste texto, vamos caminhar ao longo da história do duelo, além de contar como as duas academias chegam para a partida deste sábado.

Como tudo começou

O ano era 1890. A Academia Naval já estava há 11 anos na ativa e, naquele ano, gostou da ideia de marcar um amistoso com um programa similar a sua estrutura que acabara de ser criado – Army. Mesmo não tendo nem técnico, os integrantes da equipe de Navy concordaram por pagar a metade dos custos de viagem de Baltimore até Nova York. Bem mais experiente, os visitantes venceram sem problemas por 24 a 0.

A estreia do capacete e cenas lamentáveis

Isso mesmo. Teve de tudo em 1893. Um dos atletas da Marinha foi recomendado por um médico a usar uma proteção de couro para sua cabeça porque, segundo o doutor, uma próxima paulada poderia causar problemas mentais ou até mesmo resultar na morte do jogador. Surgia então o que hoje conhecemos como capacete de futebol americano.

Mas o que mais chamou a atenção na partida foi algo que ocorreu fora das quatro linhas. A vitória acirrada de Navy por 6 a 4 acabou provocando atritos na arquibancada. Após uma série de acaloradas discussões, parte das duas torcidas resolveram “sair no tapa”. O negócio foi tão feio que até um almirante e um general foram para as vias de fato. O incidente acabou gerando revolta das autoridades nacionais que, em uma reunião com o então presidente Grover Cleveland, fizeram um acordo que acabou dificultando o agendamento de partidas entre os dois. Seis anos depois, representantes decidiram pela volta do clássico em um campo neutro, escolhendo a Filadélfia como palco devido à distância parecida entre as duas academias.

O empate

Para honrar os mais de 50 mil soldados mortos na Primeira Guerra Mundial, as duas academias decidiram fazer uma série de homenagens. Em 1926, diante de um Soldier Field lotado com mais de 100 mil espectadores, ambos entregaram um verdadeiro espetáculo em forma de jogo. Especialistas e profissionais da mídia na época consideravam esse como o “o melhor e mais importante jogo da história do college football até então”. Ambos os times chegaram na partida em alta: Navy invicta e Army só havia perdido para Notre Dame. O placar igualado em 21 pontos deu o título nacional aos Midshipmen, o primeiro (e até agora único) em sua história.

A época de ouro

Em meados da década de 1940, Army e Navy estavam no melhor momento de suas respectivas histórias. Ambos estavam ranqueados nas duas primeiras posições nas temporadas de 1944/45. A trajetória da primeira era vista como surpresa, já que havia enfrentado uma crise absurda poucos anos antes (um retrospecto com diversas derrotas quase forçou oficiais a acabarem com o programa). Mas aí tudo mudou com a chegada do treinador Earl Blaik.

O duelo de dezembro de 1945 é apelidado por muitos de “o jogo do século”. Os únicos invictos no país decidiriam o campeonato. O triunfo por 32 a 13 seria o começo de um glorioso período para Army, que conquistaria mais dois títulos nacionais consecutivos.  Após a vitória, Blaik recebeu uma efusiva mensagem do general Douglas MacArthur, que estava nas Filipinas ocupado com a Segunda Guerra Mundial, mas que deu uma paradinha no serviço para parabenizar o treinador. Além dos troféus, os Black Knights ainda seriam honrados com dois vencedores do Heisman naquele intervalo: Doc Blanchard e Glenn Davis. Com o sucesso de ambas as equipes, o evento passou a ter transmissão da televisão em rede nacional e continuaria assim até os dias de hoje.

JFK assassinado

No dia 22 de novembro de 1963, o país todo entrou em choque ao saber que seu presidente John F. Kennedy fora assassinado. Exatamente um ano atrás, Kennedy abrilhantava com sua presença o cara-ou-coroa de Navy x Army, na Filadélfia. Sua esposa, Jacqueline, implorou para que o confronto daquele ano fosse realizado mesmo com a trágica notícia, já que os diretores queriam cancelá-lo. Foi aí que um certo cadete chamado Roger Staubach apareceu para um público de 102 mil pessoas e, consequentemente, para o mundo. Em um emocionante confronto, o quarterback lideraria os Midshipmen à vitória e à vaga na decisão nacional (Cotton Bowl contra Texas) e também conquistaria o Heisman naquele ano.

2016

Navy embarcou (rs) em um período de 14 anos com vitórias sobre seu rival, mas essa sequência chegaria ao fim no ano passado em um emocionante, porém tosco confronto – foram SETE turnovers na partida.

E em 2017?

Nessa temporada, tanto Navy quando Army faturaram a vaga na bowl season. É a primeira vez na história que ambos os programas conseguiram simultaneamente a elegibilidade por dois anos consecutivos. Army encara San Diego State no Armed Forces Bowl, enquanto Navy recebe Virginia no Military Bowl.

Como já adiantamos no Twitter, o confronto sempre marca o lançamento de uniformes bem legais por parte de ambas as equipes. E mais uma vez elas não deixaram a desejar.

 

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