South Florida e UCF – A rivalidade que não era pra ser

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Uma hora e meia. Esse é o tempo que você leva de carro para se deslocar entre os números 4000 da Central Florida Boulevard e da East Fowler Avenue. Estamos falando da localização de duas faculdades que ainda destoam das chamadas potências universitárias: Central Florida (UCF) e South Florida (USF). Dois programas bem recentes no futebol americano (1979 e 1997, respectivamente) e que hoje já fazem barulho na FBS.

Nome: War on I-4
Troféu:
 War on I-4 Trophy
Histórico: South Florida lidera a série com 6 vitórias e 2 derrotas
Último encontro: UCF 31, South Florida 48 (2016)

Data e Horário: Sexta-feira, 24 de novembro, às 18h30 (horário de Brasília)
Onde: Spectrum Stadium – Orlando, Flórida
Linha de Vegas: -10,5, UCF

Em 2005, as universidades decidiram adotar um troféu para os próximos jogos disputados entre elas. Surgiu então a War on I-4. O nome vem de uma rodovia chamada Interstate 4, que corta as cidades de Tampa e Orlando. O curioso é que a criação dessa rivalidade veio de uma maneira inusitada e, indo mais além, forçada. Sua própria alcunha é copiada de um finado confronto de arena football. Mas o que mais chama atenção é justamente o modo como cada uma das equipes a trata.

A semelhança aqui é que ambos os times alavancaram na metade da última década. A trajetória é que foi bem diferente. Voltemos um pouco no tempo, mais precisamente há 16 anos.

O início de tudo

Desde a ascensão de South Florida para a FBS, lá em 2001, representantes fizeram de tudo para que as duas universidades separadas por 100 milhas criassem um “vínculo” esportivo. Os motivos eram simples: aquecer os negócios da região e gerar interesse da mídia.

Os entraves nos calendários de ambos dificultavam demais o agendamento das partidas. Mas, no fundo, USF estava fazendo aquele famoso c* doce. Os diretores dos Bulls desejavam equipes mais fortes para “se vender melhor”. UCF à época não tinha qualquer tipo de expressão, mesmo no cenário regional, já que ainda se encontrava como independente.

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Poucos anos depois, ambos foram parar em divisões da FBS e o confronto pode finalmente sair do papel. Ao vencer os quatro primeiros jogos, South Florida se recusava a renovar a série pelo mesmo motivo que já alegava antes: competitividade. Foi então que, em 2013, a American conseguiu reunir as duas equipes. Nesse processo de transição de Central Florida sair da C-USA aparecia um fenômeno chamado Blake Bortles. Bortles foi a peça-chave que liderou os Knights não só ao primeiro ano da universidade com 12 vitórias como também à primeira vitória contra o rival. O time comandado por George O’Leary também venceria o duelo seguinte, desta vez já sem o maior jogador de sua história.

Foi aí que resolveram comprar a ideia e colocaram UCF e USF na mesma divisão, tornando oficial os confrontos anuais. Desde então, são duas vitórias para os Bulls. Os recentes resultados (um 0-8 no começo de 2015) acabaram por provocar a demissão de O’Leary. Começava a era Scott Frost, pupilo de Chip Kelly em Oregon, em Tampa.

Agora quem dá a bola é a universidade de Orlando. Frost vem fazendo um excelente trabalho esse ano, colocando sua equipe no topo do Group of Five e entre as 15 melhores de todo o país. Do outro lado, Charlie Strong deixou Texas para se reafirmar na FBS. OK, o calendário ajudou bastante, mas um técnico precisa adquirir confiança em seu primeiro ano de trabalho. Sabemos o quão difícil é treinar lá em Austin, com pressão constante da mídia e dos torcedores, e com Strong não foi diferente.

A verdade é que USF ainda não tem o mesmo apreço pelo duelo como seu adversário. Seu crescimento meteórico fez com que dirigentes e fãs não valorizassem tanto os embates. Porém, há a necessidade de se entender o contexto aplicado a esse confronto. O propósito da rivalidade é ajudar a afirmar uma conferência que cada vez mais domina o posto de mais expressiva do Group of Five.

E em 2017?

Aqui vão duas notícias para os fãs desinformados dos Knights. A boa é que o quarterback McKenzie Milton é a grande sensação da temporada do college football, com um rating menor apenas que ninguém menos que Baker Mayfield. A ruim (quase péssima): UCF ainda não enfrentou uma defesa como a de South Florida no ano. A verdade é que se tratam de dois ataques com filosofias bem diferentes. Enquanto Milton e o coordenador ofensivo Troy Walters ditam um up-tempo offense, que mal deixa os adversários respirarem, Charlie Strong prefere controlar mais o relógio. O também QB Quinton Flowers, a grande estrela desse time dos Bulls, divide as atenções terrestres com os running backs D’Ernest Johnson Darius Tice. Juntos, somam incríveis 26 touchdowns corridos na temporada.

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Com implicações diretas no ranking do CFP, o duelo de sexta não irá mostrar apenas qual é o melhor time do país no dito segundo escalão de conferências da Football Bowl Subdivision (FBS). Como já discriminamos no texto acima, os dois brigam por uma vaga na final da AAC (não confundir com ACC) por pertencerem à divisão Leste. Ou seja, estamos falando de uma semifinal aqui. Quem passar pega Memphis, outra grata surpresa na temporada. Será um jogo muito divertido, ambas as equipes têm condições de anotar muitos pontos no placar. Então, reserve sua tarde/noite de sexta, se recupere daquela ressaca do Thanksgiving e venha curtir o clássico fake mais relevante que você respeita!

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