Michigan e Ohio State – A rivalidade que foi acesa por causa de uma guerra

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Michigan e Ohio State fazem uma das principais rivalidades esportivas dos Estados Unidos, estendendo do esporte mais importante – o futebol americano – até modalidades em que as universidades nem financiam de verdade. Mesmo em estados diferentes, Wolverines e Buckeyes criaram um ódio imenso pelo outro. E isso partiu de algo bem incomum entre os clássicos universitários.

Nome: The Game
Troféu:
 Não existe
Histórico: Michigan lidera a série com 58 vitórias, 48 derrotas e 6 empates
Último encontro: Michigan 27, Ohio State 30 (2016)

Data e Horário: Sábado, 25 de novembro, às 15h (horário de Brasília)
Onde: Michigan Stadium – Ann Arbor, Michigan
Linha de Vegas: -12, Ohio State

A Guerra de Toledo

No Século XIX, diferentes interpretações sobre legislações federais fizeram com que o território de Michigan e o estado de Ohio entrassem em uma disputa por uma faixa de terra de aproximadamente 1210 km² em que está a cidade de Toledo. A área era disputada com unhas e dentes por ser extremamente importante para o transporte de pessoas e recursos, principalmente para a parte leste dos Estados Unidos.

Depois que Ohio investiu na área, criando um canal que ia de Cincinnati até ela, Michigan resolveu tentar a anexação da faixa de terra quando fez o pedido para se tornar estado, em 1835. Ohio, que era uma força crescente no cenário político, não ficou nada feliz e tentou impedir que isso acontecesse.

Michigan e Ohio criaram suas milícias com 1000 e 600 homens, respectivamente, enviando todas as forças para a faixa de terra. O então presidente Andrew Jackson tentou estabelecer ordem e mandou representantes para a região em busca de um acordo. A solução proposta era um referendo em que os moradores da faixa poderiam escolher a que lado pertenceriam. Robert Lucas, governador de Ohio, aceitou e até começou a retirar suas tropas do local. Só que Steve Mason, líder de Michigan, não aceitou e deixou seu efetivo por lá, até prendendo moradores que tinham registrado seus votos.

Depois de Mason abusar de seu poder, incluindo o envio de um xerife para prender o então prefeito de Toledo – Benjamin Stickney –, Jackson o tirou do comando do território de Michigan. Só que o sucessor John S. Horner não fez muito sucesso e Mason voltou em outubro de 1835, quando os residentes votaram para que ele fosse o primeiro governador do estado.

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Em junho de 1836, Jackson enfim cedeu e estava pronto para aprovar a entrada de Michigan como um estado, mas os representantes não aceitaram o principal pedido do presidente: ceder a faixa de Toledo. Tudo isso mudou ao passar do ano, quando o território estava em uma crise financeira e só poderia receber um dinheiro extra do Tesouro Americano se fosse um estado. Foi aí que uma reunião em Ann Arbor mudou tudo e acabou com a guerra – que não teve nenhuma fatalidade, apenas um lesionado – mesmo sendo contestada por parte dos locais.

Como compensação, Michigan recebeu o que hoje é chamado de Península Superior, uma área que é colada a Wisconsin. A região se tornou importante economicamente para o estado por ser rica em madeira e minerais, itens que foram muito explorados até o início do Século XX.

Buckeyes e Wolverines: um pouco da história

O primeiro encontro entre Michigan e Ohio State no futebol americano aconteceu em 1897, com boa parte dos estados tendo a Guerra de Toledo ainda em suas mentes. A partida realizada em Ann Arbor terminou em 34 a 0 e foi o início de uma era dominante para os Wolverines, que venceram 12 dos primeiros 14 jogos, empatando os outros dois. O primeiro triunfo dos Buckeyes veio só em 1919, quando o half-back Chic Harley foi o principal nome da vitória por 13 a 3.

Três anos depois, os Buckeyes receberam os Wolverines pela primeira vez no Ohio Stadium. E os visitantes ganharam por 19 a 0, com uma atuação sensacional de Paul Goebel, que recuperou um fumble, acertou um field goal longo, bloqueou um punt e causou muitos problemas no ataque. Por causa deste jogo e de uma aposta entre os programas, até hoje podem ser encontrados quadros com flores amarelas em fundo azul no Horseshoe.

A rivalidade viveu seu momento mais importante de 1969 a 1978, um período chamado de Ten Year War em que Ohio State era comandada por Woody Hayes e Michigan por Bo Schembechler – que fora treinado por Hayes em Miami (Ohio) –, os técnicos mais famosos da história dos dois programas. Nestes dez anos, o confronto definiu o representante da Big Ten no Rose Bowl em todas as temporadas e o aprendiz Schembechler terminou vitorioso, com cinco vitórias e um empate em dez oportunidades.

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De lá para cá, Ohio State tem encostado em Michigan no número de vitórias:  são 14 triunfos nos últimos 16 confrontos (com um deles sendo apagado por causa do escândalo envolvendo Terrell Pryor e tatuagens), incluindo duas vitórias em 2006 e 2016 que colocaram os Buckeyes em boa posição para tentar títulos nacionais, sem conseguir nas duas oportunidades.

E em 2017?

Por incrível que pareça, Ohio State ainda tem chances de playoffs, então este jogo vale muito mais para os Buckeyes, que precisariam vencer sábado, bater Wisconsin na final da Big Ten na semana seguinte e ainda torcer por resultados em outras conferências. Pelo lado de Michigan, o grande motivador é acabar com a temporada com rival e ainda levar a primeira vitória de Jim Harbaugh contra Urban Meyer.

O problema para os Wolverines é que o ataque foi extremamente inconstante durante toda a temporada e até o momento do fechamento deste texto, John O’Korn é o favorito a ser o quarterback titular por causa das lesões de Wilton Speight e Brandon Peters. A unidade ofensiva de Michigan foi muito mal com O’Korn no comando e não existe motivo para achar que poderia melhorar.

Enquanto isso, os Buckeyes chegam em uma situação boa, com ótimas atuações de sua defesa após o upset sofrido contra Iowa, principalmente de sua linha defensiva. E parece que Meyer e seu staff finalmente quiseram colocar a bola mais vezes na mão de seus ótimos running backs JK Dobbins e Mike Weber ao invés de deixar JT Barrett carregar a bola inúmeras vezes, algo que normalmente melhora a atuação ofensiva da equipe.

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