Georgia e Georgia Tech – Ódio limpo e à moda antiga

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O clássico estadual da Geórgia é particularmente interessante no college football sulista por dois fatores: a proximidade entre as universidades e os perfis completamente diferentes das mesmas. A Universidade da Geórgia, primeira universidade estadual pública dos Estados Unidos, surgiu como uma universidade de fato, criada em 1785 na college town de Athens para educar a elite do recém-criado estado americano (que ainda era escravista); cem anos depois, em 1885, foi criado em Atlanta o Instituto de Tecnologia da Geórgia, conhecido hoje como Georgia Tech. Originalmente uma escola técnica, Georgia Tech surgiu para formar uma mão-de-obra qualificada para implantar uma economia industrializada no Sul dos EUA, que à época ainda tentava se reconstruir após a devastadora Guerra Civil Americana.

Nome: Clean, Old-Fashioned Hate 
Troféu:
 Governor’s Cup
Histórico: Georgia lidera a série com 65 vitórias, 41 derrotas e 5 empates
Último encontro: Georgia Tech 28, Georgia 27 (2016)

Data e Horário: Sábado, 25 de novembro, às 15h (horário de Brasília)
Onde: Grant Field at Bobby Dowd Stadium – Atlanta, Georgia
Linha de Vegas: -11.5, Georgia

As diferenças sociais ainda marcam boa parte das provocações entre torcedores de Bulldogs e Yellow Jackets: enquanto a torcida dos Dawgs ainda chama Georgia Tech de “escola técnica” e se refere aos estudantes e torcedores da instituição como “nerds”, quem apoia os Jackets chama Georgia de “Universidade (sic) da Geórgia” e quem torce ou estuda lá de rednecks (caipiras, no inglês americano) – uma alusão a suposta qualidade inferior de ensino da principal universidade do estado.

Tais diferências ficam ainda mais em evidência se levarmos em conta a proximidade entre os dois campi: Athens – sede de Georgia – fica a apenas 110 km (cerca de uma hora de carro) de Atlanta – sede de Georgia Tech – sendo que nos dias de hoje Athens fica bem na área de influência da capital do estado. Para reforçar esse sentimento de antipatia, ambas as fight songs (hinos) de cada equipe mandam a equipe adversária ao inferno, como revelam as letras de Ramblin’ Wreck e Glory, Glory.

A rivalidade dentro de campo

Apesar das diferenças sociais e do fato de Georgia ser uma universidade bem mais antiga, tanto Bulldogs quanto Yellow Jackets estabeleceram seus programas de futebol americano no mesmo ano: 1892, quando o college football estava começando a se firmar como varsity sport nos estados sulistas. Naquela temporada, Georgia jogou duas vezes: contra Mercer e Auburn, vencendo o primeiro e perdendo o último. Tech, por sua vez, também enfrentou Mercer e Auburn, mas também Vanderbilt – perdeu os três. Apenas no ano seguinte, em 1893, a grande rivalidade estadual começou (curiosamente, como o primeiro jogo da temporada): os Yellow Jackets venceram a primeira partida, em Athens, por 28 a 6.

Com o passar dos anos, a rivalidade se intensificou ao ponto de chegar a um hiato após a Primeira Guerra Mundial. Na ocasião, Georgia mandou muitos de seus homens (inclusive aqueles que poderiam participar de esportes) para a guerra e teve de suspender seu programa de futebol americano entre 1917/18. Enquanto isso, Georgia Tech continuou jogando college football durante a guerra. Quando os Bulldogs voltaram a mandar seu time a campo, em 1919, a torcida dos Dawgs resolveu provocar os Yellow Jackets com o fato de muitos estudantes-atletas da universidade terem lutado na Europa enquanto os de Georgia Tech ficaram em Atlanta.

Os Yellow Jackets não levaram a brincadeira na esportiva, literalmente: a universidade cortou suas ligações esportivas com Georgia (inclusive proibindo os Dawgs de jogarem no Grant Field, algo comum à época) e suspendendo a rivalidade até 1925, quando os dois times voltaram a se enfrentar na temporada regular como membros da Southern Conference.

A partir de 1933, as duas equipes saíram da SoCon e se juntaram à recém-criada Southeastern Conference (a famigerada SEC). Em 1964, Bobby Dodd – lendário head coach de Georgia Tech que dá nome ao estádio dos Yellow Jackets hoje – entrou em conflito com o também lendário head coach de Alabama, Bear Bryant, e Tech decidiu sair da conferência; desde 1979 os Jackets estão na ACC.

O confronto deste sábado

A rivalidade entre Georgia e Georgia Tech está entre as mais imprevisíveis do futebol americano universitário; a trajetória dos times durante a temporada regular pouco influi no resultado do jogo. Ultimamente, o clássico da Geórgia também tem sido marcado pelo equilíbrio: mesmo que os Bulldogs tenham vencido 12 das 13 edições entre 2001-13 (à exceção de 2008), Georgia Tech venceu dois dos últimas três jogos – inclusive o último, ano passado, de forma emocionante. Aliás, falando em emoção, dois dos últimos quatro jogos (2013-14) foram decididos na prorrogação, com uma vitória de cada lado.

O curioso é que o jogo deste sábado será em Atlanta, e Georgia Tech não vence os Dawgs em casa desde 1999 – porém tem artifícios na manga para buscar a upset. O quarterback TaQuon Marshall vem apresentando uma nítida evolução desde que assumiu a titularidade na equipe a partir deste ano e é a nova cara da triple option dos Yellow Jackets. Georgia, por outro lado, pretende responder o ataque de Tech com um poderio ofensivo ainda maior por terra: a dupla dinâmica de running backs composta por Nick Chubb e Sony Michel, além do quarterback calouro em ascensão Jake Fromm. Georgia pode até ser favorita – e com razão – mas quando há tanto ódio envolvido e o orgulho do estado em jogo, nunca dá para descartar uma upset do outro lado.

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