Conheça os “Mr. Irrelevants” que foram relevantes no college football

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Quando chega a época do Draft da NFL, além de todo o debate relacionado às primeiras escolhas de cada time e de quais são os melhores prospects do college football em cada posição, uma curiosidade ronda os fãs de futebol americano (profissional ou universitário): quem será o último jogador a ser escolhido após sete rodadas e três dias de Draft?

Como é bem mais difícil prever as últimas escolhas das equipes em relação as primeiras, muitas vezes o “Mr. Irrelevant” – nome dado oficialmente a partir de 1976 ao último jogador selecionado cada ano – pode resultar numa grata surpresa para a equipe que o escolheu, ou qualquer outra que adicionou tal jogador ao seu elenco. A distribuição de Mr. Irrelevants draftados por universidade é ampla: desde 1936 (quando começou o Draft da NFL) apenas oito universidades foram “agraciadas” com a última pick mais de uma vez: Colorado, Delaware, Northwestern State, UPenn, South Carolina, Tennessee, Texas e Weber State.

No entanto, o assunto deste post não é necessariamente esse: vamos falar é daqueles Mr. Irrelevants que foram de fato relevantes na sua carreira universitária.

Começamos com um nome familiar para muitos fãs da NFL da atualidade – afinal, provavelmente Ryan Succop já jogou contra (ou pela) sua equipe nas últimas sete temporadas da NFL. O que nem todo mundo sabe é que o atual kicker do Tennessee Titans e Mr. Irrelevant do Draft de 2009 teve uma carreira de sucesso em South Carolina; como kicker e punter, Succop marcou 251 pontos (décimo maior marcador da história dos Gamecocks) e foi eleito duas vezes para o segundo time All-SEC em 2006-07, além de ser semifinalista do prêmio Lou Groza de melhor kicker em 2006. Ah, e ele também foi o calouro com melhor porcentagem de field goals acertados na história da NFL (86,2%).

Continuando na SEC, chegamos ao nome de Marty Moore, o primeiro Mr. Irrelevant a jogar um Super Bowl. Vindo de Kentucky, o linebacker participou do Peach Bowl de 1993 contra Clemson (o primeiro dos Wildcats em nove temporadas) e acabou selecionado pelo New England Patriots com a última escolha do Draft do ano seguinte. Moore jogou no Super Bowl XXI – em que os Patriots foram derrotados pelo Green Bay Packers – e também no XXVI, que terminou com vitória patriota sobre o (então) St. Louis Rams. O jogador se aposentou logo após a temporada de 2001.

Além disso, você sabia que o único jogador NA HISTÓRIA da NFL a receber passes de ambos Peyton e Eli Manning foi um Mr. Irrelevant vindo de UPenn? Pois é. Após acumular 2277 jardas terrestres (quarta melhor marca da história dos Quakers) e ser eleito o jogador do ano na Ivy League em 1998, Jim Finn conseguiu seu lugar nos pros graças ao Chicago Bears, que o escolheu com a última escolha do Draft de 1999. Embora não tenha jogado em Chicago, Finn teve melhor sorte após passagens pelo Indianapolis Colts e New York Giants, onde fez parte da equipe vencedora do Super Bowl XLII. No college, Finn chegou a jogar tanto no ataque como na defesa numa partida contra Columbia em 1997 – vencida pelos Quakers por 24-7 e com um touchdown do fullback.

Há certos jogadores que ficam com a pecha de Mr. Irrelevant mesmo que tenham feito temporadas decentes com suas equipes; o problema são os programas onde eles fizeram carreira. Este é o caso de David Vobora, linebacker que acabou sendo o Mr. Irrelevant do Draft de 2008 pelo St. Louis Rams. Jogando pelo malfadado programa de Idaho, Vobora foi duas vezes All-WAC (2006-07) e recebeu uma menção honrosa de All-American também em 2007. Nada disso o impediu de esperar três dias antes de ter seu nome chamado no palco do Draft da NFL antes de jogar pelos Rams por três anos.

Mas afinal, qual é o ponto deste texto? Simples: reconhecer o trabalho duro que todos os atletas de college football precisam fazer se quiserem chegar ao nível profissional algum dia. A pirâmide do futebol americano é implacável: apenas a elite dos jogadores de high school acaba recebendo a oportunidade de jogar no college football e destes, apenas uma pequena fração entra na NFL pela porta da frente.

Entretanto, isso não quer dizer que suas carreiras foram necessariamente “ruins” até enfrentarem a loteria do Draft ou que não terão outras oportunidades no futuro – no caso de Succop, por exemplo, ser Mr. Irrelevant não o impediu de ter a titularidade garantida na liga. Então, quando o Mr. Irrelevant aparecer na sua TV neste sábado, preste atenção no cidadão e sua trajetória para chegar até aquele palco e segurar a camisa do time que o escolheu: ele pode lhe surpreender entre os profissionais.

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