O futuro da NFL na grande final do College Football

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Como sabemos, o final da temporada se aproxima, e com isso, as especulações a respeito do Draft 2017 ficam cada vez mais intensas. O processo de avaliar um jogador não é dos mais fáceis, especialmente em algumas transições e requisitos muito específicos de funções da NFL (se são os corretos, eu já não posso julgar). Diante desse cenário, encontrar um jogador que consiga sobreviver as pressões da liga profissional não é fácil, mas Alabama e Clemson são dois programas conhecidos por entregar futuros jogadores. Desde a chegada de Nick Saban a Tuscaloosa, mais de 54 jogadores já foram draftados, sendo 17 deles na primeira rodada. O caso é parecido com o dos Tigers, que depois da chegada de Dabo Swinney à Carolina do Sul, tiveram 42 jogadores draftados, incluindo cinco escolhas na noite de gala do esperado evento de seleção.

Com o segundo ano consecutivo das duas equipes na final do College Football Playoff, não é pra menos que ambas tenham uma grande quantidade de jogadores cotados para o draft, especialmente para a primeira rodada. O Crimson Tide domina a classe atual, mesmo após dois anos com apenas um jogador draftado nas primeiras 32 escolhas, tendo atualmente seis jogadores cotados para saírem cedo pelos analistas. Clemson não fica muito atrás, tendo quatro nessa lista. Citaremos alguns desses jogadores em profunda análise dos mais importantes.

OBSERVAÇÃO: O POST É BEM PESADO POR CAUSA DAS GIFS.

Reuben Foster (Linebacker, Alabama, Senior)

Reuben era um jogador quatro estrelas e o número um na função de ILB do país. Recebeu várias ofertas e tinha entre suas principais escolhas Alabama e Clemson. Como sabemos, o atleta acabou escolhendo pelo time de vermelho. Desde o dia em que pisou em Tuscaloosa até o seu último jogo como Crimson Tide, ele tem sido incrível. Com uma presença excelente contra a corrida, tendo uma força incrível, desviando-se facilmente dos bloqueadores à sua frente, Foster faz com que nenhum running back consiga avançar pelo meio do seu front. Nas 106 tentativas de corrida contra defesa de Alabama, ele foi responsável por quase 14.2% das paradas dessas jogadas (resultando em perda de jardas ou uma parada na linha de scrimmage), além de raramente perder um tackle, fazendo com que grandes running backs não consigam atravessar a segunda linha da defesa.

Observe a velocidade e a força de Foster

Quando Foster é obrigado a cobrir o passe, o faz com maestria. Sua velocidade e agilidade permite que acompanhe com facilidade tight ends e running backs em passes curtos e intermediários. Boa parte dos seus tackles contra recebedores foram o suficiente para impedir avanços de primeira descida, o que demonstra também uma leitura de jogo muito eficiente e rapidez na hora de tomar as suas decisões.

Apesar do passe um pouco atrás, Foster mantém os olhos na bola e no recebedor.

Por fim, Reuben demonstra o quão completo é ao ser utilizado para realizar pressões ao quarterback. Mesmo tendo um uso limitado durante as blitzes, especialmente por ter companheiros como Tim Williams e Ryan Anderson nas laterais, o jogador registrou quase 20% de eficiência em situações de pressão (sack, hit ou hurry). Contra Arkansas, com pouco menos de metade do jogo, ele já tinha sido creditado por um hit depois de passar por um dos melhores centers da FBS, Frank Ragnow.

A velocidade e agilidade de Foster faz com que ele consiga se desbloquear do center.

Ano após ano, Foster tem melhorado o seu stock como inside linebacker, se tornando um dos melhores jogadores de uma defesa extremamente talentosa que Alabama possui. Snap após Snap ele é capaz de fazer grandes jogadas, raramente comentendo algum erro. Sua regularidade faz com que a ideia de o vermos todos os domingos na NFL seja algo fácil de se imaginar nas maiorias das franquias da liga.

Sua força e velocidade fazem de Watson um jogador extremamente dominante.

Deshaun Watson (Quarterback, Clemson, Junior)

Depois de terminar o ano sendo comparado a Cam Newton, parece que Deshaun Watson sofreu igualmente ao atleta dos Panthers. Após um início lento e recheado de decisões precipitadas, o quarterback dual-threat que foi considerado quatro estrelas na Georgia perdeu muito do seu stock para o próximo draft. Watson decidiu o seu recrutamento com dois anos de antecedência, escolhendo ir para Clemson em 2012. Ao longo dos anos, Deshaun demonstrou uma presença no pocket muito boa, tendo um toque preciso na bola e lançando ela em lugares que só os seus alvos conseguiriam receber.

O toque na bola e a precisão no lançamento fazem de Watson um quarterback perigoso.

Aliado a uma excelente mobilidade, Watson consegue estender as jogadas e realizar movimentações como o boot-leg, option, além de sair do shotgun, pistol ou under center. Essa variedade de possibilidades faz com que existam comparações com Russell Wilson e Cam Newton.

Sua mobilidade permite que consiga estender as jogadas.

Sua mecânica e movimentação antes do passe também são impecáveis, tendo um release rápido e fazendo com que a bola saia da sua mão com velocidade e precisão. Além do braço capaz de encontrar passes em praticamente todas as rotas possíveis, especialmente no post, Watson faz com que passes de curta e média distância tenham uma precisão muito grande.

Conseguir prever as jogadas e lançar a bola para onde o recebedor deve estar não é para qualquer um.

Contudo, não há não como dizer de uma forma mais carinhosa que esse ano foi muito ruim para Watson. Houve um completo regresso em quase todas as suas estatísticas, o que acabou levando-o a jogos muito apertados para o time de Clemson. Porém, em um ano com uma classe de quarterbacks tão fraca, a experiência como titular e uma possibilidade de melhora do signal caller faz com que o jogador seja um dos melhores prospectos para 2017.

A final contra Alabama e o Combine serão definitivos para o seu draft.

Jonathan Allen (Defensive Line, Alabama, Senior)

Jonathan Allen se tornou o que muitos esperavam dele no tempo de High School, virando o melhor jogador defensivo do college football. Estatisticamente falando, o jovem de Virginia foi avaliado como prospect cinco estrelas da classe de 2013, e foi o interior lineman e denfensive end mais incrível desta temporada, criando um verdadeiro caos nas linhas ofensivas que enfrentou em 2016. Após ter um aumento significativo da sua produção esse ano, com a saída de Jarran Reed e A’Shawn Robinson, Allen conseguiu manter o mesmo nível de excelência que tinha durante as rotações da linha defensiva de Alabama.

Sua força e footwork fazem com que Allen seja um pass rusher que nunca desiste.

Quando recrutado, a sua expectativas era jogar como edge, ou defensive end weak side, focado primariamente em fechar o lado contrário do blindside do quarterback, usando seu talento para avançar contra o lançador do outro time. Contudo, quando começou a jogar pelo lado de dentro da linha defensiva de Alabama, ele conseguia pressionar o quarterback adversário e realizar jogadas atrás da linha de scrimmage. Com um total de 64 pressões (11 sacks, 12 hits no lançador, e 41 hurries), Allen se tornou o jogador de linha mais eficiente contra o passe.

O seu sack “Superman”, Allen demonstra todo seu empenho em chegar ao quarterback.

Um dos grandes problemas de boa parte dos pass rushers do college football é a incapacidade de ser tão efetivo no jogo corrido. Muitos dos jogadores sofrem para saírem de bloqueios vindo dos guards ou tight ends. Mas Allen, apesar de não demonstrar tanta explosão no seu movimento inicial, consegue manter os olhos no backfield e “limpar” os jogadores enquanto a corrida acontece. Seus braços longos fazem com que ele consiga manter o jogador da linha ofensiva fora do seu equilíbrio e usar o seu bull rush para chegar ao running back ou quarterback.

Seus olhos no backfield faz com que Allen nunca deixe de acompanhar os corredores.

A única dúvida que é levantada sobre Allen é o quão dominante ele seria na NFL, visto que algumas de suas habilidades foram reduzidas devido ao esquema de jogo proposto por Jeremy Pruitt em Alabama. A sua explosão, que as vezes aparenta ser um pouco limitada, e o seu uso constante do mesmo movimento para escapar do bloqueador são contestados. Apesar disso ele tem todas as ferramentas para ser um jogador fundamental em qualquer defesa da NFL.

O jogador também demonstra uma habilidade enorme com as mãos para fumbles e interceptações.

Cordrea Tankersley (Cornerback, Clemson, Senior)

Quando Cordrea foi recrutado, ele não era um dos jogadores mais badalados do seu estado. Sendo considerado safety, Tankersley teve a ajuda do seu porte físico para fazer a transição para cornerback e se estabelecer como um dos principais defensive backs de Clemson. Com os seus 1,85m e 90kg, ele consegue cobrir facilmente qualquer receiver mais atlético e alto que alinhe a sua frente, especialmente com o seu backpedal, tendo muita agilidade e velocidade para manter uma marcação muito próxima.

A sua press coverage e velocidade fazem Tankersley ser  um atleta incrível.

Nos últimos dois anos, Tankersley produziu nove interceptações e 19 passes defletidos. Ele jogava no lado oposto de Mackensie Alexander, agora jogador dos Vikings na NFL, formando uma das melhores duplas de cornerbacks do college football. Contudo, com o amadurecimento do atleta, pudemos perceber que boa parte do sucesso vinha do próprio Cordrea, pois no ano de 2016 ele viu um quantidade maior de passes na sua direção (77 em comparação com os 47 de 2015) e os quarterbacks tinham uma porcentagem de passes completados de apenas 35,1% quando lançavam na sua direção. Ou seja, 2015 foi o ano para ele se mostrar eficiente e em 2016 para reafirmar sua capacidade.

Sua antecipação e habilidade de leitura das jogadas, faz com que ele consiga dominar receivers.

Talvez o maior desafio de Tankersley na transição para a NFL seja conseguir acompanhar recebedores baixos e mais ágeis. Nos últimos dois anos, o jogador sofreu para conseguir acompanhar rotas para dentro do campo (slant, in e drag), sendo boa parte devido a seu costume de se afastar da marcação assim que o snap acontece. Vale lembrar que Tankersley não é um dos melhores tackleadores desse draft, tendo perdido várias chances de avanço em jogos contra Notre Dame e Virginia Tech.

Mantendo os olhos no quarterback sem perder a atenção no recebedor, Tankersley fica atento a todas as rotas.

A maior habilidade de Tankersley é definitivamente encontrar a bola com facilidade e interceptá-la. No jogo contra Virginia Tech e Ohio State, Cordrea demonstrou a importância do seu papel defensivo ao eliminar os principais recebedores dos times que enfrentava, fazendo com que os matchups da defesa de Clemson ficassem um pouco mais fácil. Nas duas interceptações contra Virginia Tech, ele se antecipou e finalizou a jogada com muita atenção ao seu redor, tendo os pés dentro de campo e mantendo a posse de bola como se fosse um receiver. Esse é um dos principais motivos que fazem Tankersley ser cotado como um dos melhores cornerbacks do país.

Suas habilidades com as interceptações faz com que o jogador tenha um diferencial em relação aos outros cornerbacks.

Ás vezes, Cordrea se porta como um receiver graças ao seu awareness do campo.

Tim Williams (Linebacker, Alabama, Senior)

Alabama é um time que não precisa se reconstruir, pois consegue se recarregar seus próprios talentos. Nick Saban e o seu staff conseguem alinhar os melhores jogadores nas melhores posições. Mesmo perdendo jogadores para a NFL ano após ano, a equipe continua dominante. Quando terminou o ensino médio, Tim Williams era um recruta quatro estrelas e recebeu bolsas de diversas universidades, prosperando no programa de Tuscaloosa. Williams é o tipo clássico de pass rusher, sendo um especialista em sacar o quarterback.

Williams tem um repertório de movimentos para pressionar o backfield, fazendo com que seja muito completo tecnicamente.

O mais surpreendente sobre Williams é a sua produtividade incrivelmente alta. Mesmo participando de um sistema de rotação que faz com que ele tenha uma quantidade menor de snaps, o Pro Football Focus classificou-o como o 13º melhor pass rusher no ano, apesar do fato latente de estar presente em campo durante apenas 340 snaps – o menor número dentre o top 25. É importante lembrar que 11 dos 12 jogadores acima dele tiveram quase 180 snaps a mais. Ou seja, com menos de um terço das oportunidades dos outros pass rushers, Williams conseguiu produzir números incríveis, especialmente sendo um jogador que dificilmente aparece em situações de terceira descida longa – a mais comum para situação de passe.

Sua velocidade e explosão faz Williams dominar linhas ofensivas menos ágeis.

Como citado anteriormente sobre Jonathan Allen, o time de Nick Saban costuma posicionar os jogadores em diversas situações e técnicas, que muitas vezes elas não são as mais produtivas em relação a estatísticas. Mas isso acaba produzindo uma versatilidade maior do jogador, tornando-o mais efetivo. Um exemplo disso é o uso constante do inside foot mais próximo da cintura, o que claramente cria uma explosão menor, fazendo com que Williams abuse de outros movimentos para se desvencilhar da linha ofensiva. Tecnicamente, o atleta tem melhorado ao longo dos anos, especialmente no que se diz a movimentos de pass rush (stunts, rip offs, spins).

A sua força faz com que Tim seja uma presença constante no backfield.

O único problema para cotá-lo como um edge ruher são as poucas oportunidades que ele teve contra a corrida. Em 2015 e 2016, apesar de raramente ter enfrentado corridas suficientes para ranqueá-lo, seus números giram em torno de quase 15% de run stop (corridas sem ganho de jardas, incluindo perdas). Além disso, no início do ano ele foi preso por porte ilegal de arma, entrando numa já conhecida lista de grandes jogadores de Alabama que se envolveram com problemas legais.

A quantidade de alinhamentos de Williams faz dele um jogador muito versátil.

 Mike Williams (Wide receiver, Clemson, Junior)

Após um um choque sério com o poste das traves, que culminou em lesão delicada no pescoço, o wide receiver quatro estrelas da Carolina do Sul retornou para o campo realizando 84 recepções, que incluem 1171 jardas e 10 touchdowns. Vale lembar que boa parte desses números foram construídos nos principais jogos de Clemson (Auburn, Louisville, Florida State e Pittsburgh).

Sua força e atenção constante ao lançamento, faz com que Mike Williams consiga realizar recepções incríveis – especialmente em momentos cruciais.

Além de possuir um bom tamanho para jogar na NFL (1,92 e 102kg), seus atributos físicos são um grande diferencial para torná-lo um dos recebedores mais efetivos do país. A velocidade que Williams cria em um pequeno espaço o torna fatal para cornerbacks não tão atléticos, fazendo uma separação com muita facilidade graças aos seus longos braços – que também fazem dele um alvo muito maior devido a sua área para recepção. Também é importante observar que sua força faz com que ele finalize as recepções com uma dominação maior sobre os seus adversários.

Sua velocidade no inicio da rota, faz de Williams um recebedor explosivo e fatal.

Ter jogado ao lado de um quarterback como Watson certamente ajudou na sua produção estatística. Contudo, além de ser um recebedor em profundidade e com muita velocidade, seu tamanho facilita muito as rotas curtas e intermediárias, fazendo com que se torne um alvo confiável para avanços curtos e o lançamento em “pequenas janelas”.

Seu tamanho e força faz do camisa 7 um ótimo alvo em rotas curtas e intermediárias.

Seu principal problema é a forma como corre as rotas, pois muitas vezes não realiza muitos movimentos para se separar do cornerback, que no nível profissional é uma diferença primordial. Outra coisa que precisa ser melhorada é a forma como bloqueia, na qual raramente há o tempo correto e separação suficiente do cornerback para as corridas acontecerem com sucesso.

O tamanho do seu braço faz com que Williams tenha um raio de recepção muito maior.

Mas se continuar saudável como esteve esse ano, sem medo de correr pelo meio, Williams deve se tornar um dos melhores recebedores para o Draft de 2017.

Existem outros jogadores que também poderão ser draftados nas primeiras 32 escolhas do Draft de 2017. Recebem menção honrosa os jogadores Cam Robinson (OT, Alabama), Marlon Humphrey (DB, Alabama), OJ Howard (TE, Alabama) e Carlos Watkins (DT, Clemson), sendo estes alguns dos muitos nomes que poderão ser chamados pelo comissário Roger Goodell em abril.

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