As 10 tradições mais fodas do basquete universitário

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O esporte universitário americano é algo espetacular. São centenas de universidades espalhadas por cada canto do país, uma paixão nacional. O futebol americano pode até ser o mais famoso desses esportes, mas é no basquete que conseguimos enxergar a verdadeira paixão dos jogadores e torcedores por suas universidades. É difícil imaginar que uma universidade nos Estados Unidos não tenha um programa de basquete, até por conta dos custos reduzidos para se manter um time.

Universidades pequenas, médias e grandes. Todas podem jogar esse esporte. Vislumbrar chegar à NBA por vezes pode ser algo distante – a liga profissional de basquete norte-americana recruta apenas 60 jogadores por ano em seu Draft, que é composto por apenas duas rodadas. A carreira dos jogadores de basquete muitas vezes acaba antes mesmo de ele poder chamá-la de uma carreira de verdade, após quatro anos enquanto estes buscam seus diplomas.

Talvez por isso as tradições do basquete universitário sejam fortes, bem mais do que na NBA: o sentimento é diferente, a história importa mais e o dinheiro importa menos, fomentando um ambiente no qual ricas tradições – das mais sérias às mais cômicas – possam surgir e se desenvolver. A seguir, fizemos uma lista com as dez maiores tradições do basquete universitário que com certeza provam o quanto esse esporte é grande. Venha conosco, descubra como o basquete universitário é diferente do profissional – bem melhor, diríamos – e se apaixone por ele (se ainda não for apaixonado) após ler esse texto!


10. Rock Chalk Jayhawk

O Rock Chalk Jayhawk é uma tradição da Universidade de Kansas. Trata-se de uma música que foi desenvolvida por um professor de química e alguns amigos, que estavam voltando para Lawrence de trem após uma conferência e discutiram sobre a necessidade de uma identidade para a universidade. A tradição é tão forte, que Teddy Roosevelt, ex-presidente norte-americano, disse que Rock Chalk Jayhawk é o melhor canto universitário que ele já ouviu. Além disso, existe a lenda de que tropas americanas a usaram em uma guerra nas Filipinas e também na tão conhecida Segunda Guerra Mundial – isso sem contar que nos Jogos Olímpicos da Antuérpia em 1920, os atletas americanos cantaram a música para o Rei Alberto I da Bélgica.

O Rock Chalk Jayhawk é comumente usado na Allen Fieldhouse, casa do time de basquete e também no University of Kansas Memorial Stadium, casa do time de futebol americano. O música é interpretada pelos torcedores antes de o jogo começara e consiste em dizer “Rock Chalk… Jayhawk… KU” de forma lenta por duas vezes em forma de canto e logo após repetir três vezes as palavras acima de forma rápida. Após 1980, os torcedores ficaram conhecidos por cantar a música de forma bem lenta quando o time já tinha a vitória assegurada. Dá pra imaginar que isso aconteceu muito mais vezes na arena de basquete do que no campo de futebol americano…

09. “Redecorar” o Quad

Em nono lugar na nossa lista de tradições está a “Rolling de Quad”, originada em Wake Forest. Para entendermos tal tradição, precisamos dizer que a universidade de Wake Forest fora fundada na cidade de Wake Forest, na Carolina do Norte. Por motivos diversos, a universidade se mudou em 1954 para Winston-Salem, outra cidade da Carolina do Norte, situada a aproximadamente 110 milhas do campus original. O antigo campus da universidade tinha um sino que era tocado pelos estudantes quando estes queriam celebrar algo. Em Winston-Salem não havia sino que os estudantes tivessem acesso e então eles inventarão uma nova tradição: jogar papel higiênico sobre as árvores do Quad (algo como o ponto central da universidade).

A tradição é realizada após todo grande feito dos atletas da universidade e começou após uma vitória contra Duke, em que os alunos da universidade rival disseram que iriam protestar cobrindo as árvores e como forma de provação, os estudantes dos Deamon Deacons fizeram o mesmo, mas com papel higiênico.

08. Midnight Madness

O Midnight Madness é uma tradição que não é específica de uma universidade. Tal tradição marca a abertura da temporada de basquete de cada universidade. Ela foi originada com em 1971, com Lefty Driesell, antigo head coach de Maryland, que convidou o público para uma corrida às 00h03min do dia 15 de outubro. Isso porque a NCAA só permitia que os times começassem a treinar após tal data. Com o passar do ano, as universidades começaram a inovar em seus Midnights Madness, que passaram a contar com desafios de enterradas, desafio de três pontos e algumas outras atividades afim de entreter os estudantes.

Logicamente as grandes universidades se aproveitaram disso e criaram grandes eventos, como Kentucky que em 2014 levou Drake para atuar em seu Midnight  Madness. Eles passaram a usar tal evento como forma de atrair prospects do high school, como quem quer dizer: “É aqui que você tem que jogar garoto, olhe todas essas pessoas, eles irão te louvar quando vier para cá”. Digamos que funcionou, visto que Kentucky, Duke e Kansas viraram redutos de one-and-dones com os melhores jogadores de basquete universitário do país.

07. O Gavião Que Nunca Morre

Saint Joseph’s é uma pequena universidade localizada na Philadelphia. Por conta dos motivos já citados no início desse texto, você deve saber que o amor dos estudantes pelo time de basquete dessa universidade é muito grande. Os mascotes são os símbolos dos torcedores, sempre ali do lado da quadra, mas em St. Joe’s o mascote tem um significado diferente: seguindo o lema “The hawk will never die” (O gavião nunca morrerá), o mascote da equipe fica batendo as “asas” durante todo jogo! Exatamente isso, até mesmo no intervalo o mascote não para de bater suas asas desde que entra na quadra até o apito final.

Essa tradição se iniciou em 1956 com um estudante que queria criar um mascote para a universidade. A ideia inicial era um gavião de verdade, mas logo depois ficou combinado que o mascote seria uma pessoa vestida de gavião. Vale dizer que o Hawk viaja para todos os jogos da equipe, sendo um dos únicos mascotes do país a fazer isso. É um trabalho de verdade e, justamente por isso, o aluno que é escolhido como mascote ganha uma bolsa de estudos integral e trabalha como “gerente” do time de basquete da universidade.

Essa tradição já foi escolhida pela mídia especializada diversas vezes como a melhor do college basketball.

06. Cortar as redes

Se você é um apreciador do basquete, provavelmente já viu esta cena. Após um time ser campeão, é normal o técnico e seus jogadores cortarem um pedaço das redes das cestas para guardar como uma lembrança daquele grande momento. O que você talvez não saiba, é que essa tradição foi inventada no college basketball.

Everett Case, ainda nos tempos de técnico do high school, sempre dizia a seus jogadores para que levassem consigo alguma lembrança após uma importante vitória. Após ter sido campeão do estado de Indiana por três vezes, Case foi para a marinha em 1941 e após a guerra, se tornou técnico de North Carolina State. Com imediato sucesso, após um de seus títulos, ele pediu uma escada a um dos trabalhadores do ginásio em que o jogo aconteceu. Como não havia nenhuma escada por ali, Case subiu nos ombros de seus jogadores e cortou um pedaço das redes como lembrança. Desse modo surgiu a tradição que temos até hoje no basquete.

05. A melhor falta técnica do mundo

Essa é com certeza uma das tradições mais irreverentes do college basketball. Ao estilo libertadores, todo ano no Halloween, milhares de fãs da John Brown University lotam o ginásio da equipe para um dos melhores momentos do ano, o primeiro jogo da temporada. Após a primeira cesta de quadra – não vale lance livre – feita pelo time da casa, os fãs jogam rolos de papel higiênico na quadra. Como há um atraso no jogo, o time da casa sempre toma uma falta técnica e o adversário ganha dois lances livres após a chuva de papel higiênico – no jogo de 2015, para completar ainda mais o show, a equipe adversária (Barclay College) errou ambos os lances livres. A quadra demora menos de cinco minutos para ser totalmente limpa e o jogo retornado.

Essa tradição nasceu no final dos anos 70 e não foi algo que universidade adotou muito bem. No entanto, como os alunos insistiam em renovar a tradição todo ano, a universidade passou a aceitar e o tal jogo contou inclusive com patrocínio da Charmin, como você pode imaginar, uma marca de papel higiênico, que doou 2.000 rolos de papel para a torcida, assim como mais 2.000 rolos para a caridade.

04. Cortina da Distração

Distração em momentos decisivos do esporte é o que todas as torcidas tentam trazer ao seu adversário. Na hora de field goal, a torcida do futebol americano tenta fazer o máximo de barulho para atrapalhar a comunicação entre holder e long-snapper, além disso, o técnico da equipe que vai defender por vezes pede um timeout apenas segundos antes de o snap ser realizado, para tentar desconcentrar o kicker. Em Arizona State, mais especificamente na Wells Fargo Arena, a seção estudantil leva este conceito a outro nível: os adversário enfrentam a “Cortina da Distração” em seus arremessos livres no segundo tempo.

A Cortina da Distração nada mais é do que o próprio nome diz: estudantes ficam atrás de uma cortina preta que é aberta alguns segundos antes de o arremessador fazer o chute do lance livre. As mais bizarras coisas já aconteceram de trás da famigerada cortina, mas com certeza uma das melhores foi a aparição de um dos maiores esportistas olímpicos de todos os tempos, Michael Phelps. Durante um jogo contra Oregon State, Phelps (que fazia seu treinamento pré-Rio 2016 em Tempe) apareceu de trás de cortina e acredite, o jogador dos Beavers errou AMBOS os lances livres!

Um estudo de um grupo de Harvard fez um estudo e constatou que a Cortina realmente funciona. Segundo os pesquisadores, os adversários acertam 68,6% dos lances livres no primeiro tempo, contra 60,6% no segundo tempo, quando são obrigados a arremessar contra a Cortina. Essa diferença não é observada em outras arenas do país. Com certeza uma grande ajuda para Arizona State!

03. One Shining Moment

Outra tradição não-específica, One Shining Momento é uma música escrita por David Barrett sobre o March Madness em 1986 e tocada pela primeira vez pela CBS em 1987, após Indiana bater Syracuse para se tornar campeã nacional. Desde então, essa se tornou uma tradição anual e algumas versões diferentes foram exibidas, com Teddy Pandergrass, Luther Vandross, Jennifer Hudson e Ne-Yo.

A CBS exibe um clipe com a música após o final do jogo do título, no momento em que os jogadores do time vencedor estão cortando as redes das cestas (veja mais sobre isso adiante). O vídeo tem um tom emocionante e mostra os grandes momentos do March Madness. Após o final da temporada regular, 68 times iniciam o sonho de chegar ao Final Four e tentar o título nacional. O clipe tenta pegar alguns  momentos dessa caminhada até o título. Vale a pena perder algumas horas no youtube assistindo aos One Shining Moment’s de cada um dos últimos anos. Quem sabe do últimos 20, 30 anos, você decide. Aqui, como aperitivo, o de 2016:

02. O canto otimista de Utah State

“I believe that we will win” (Eu acredito que nós vamos vencer) é um canto simples, porém bastante intimidadora e extremamente bem organizada pela torcida de Utah State University. O canto já foi copiado por diversas equipes, tanto universitárias, como profissionais, de tão bom que ele é.

Há divergências de quando ele realmente começou e por quem ele realmente foi inventado. Quem o popularizou foi realmente Utah State, mas dizem que quem inventou o canto foi Navy, em um jogo de futebol americano que estava perdendo. De lá pra cá, surgiram N variações dele, incluindo a adoção pela torcida da seleção americana de futebol e um dos cantos usados pelos estudantes de New Hampshire dentro e fora da arena de hóquei no gelo.

O que diferencia o “I believe…” de USU é a maneira como é executado pela seção estudantil – uma das melhores e mais agitadas de toda a Primeira Divisão, mas isso é um texto pra outra hora. De qualquer forma, esta é a melhor tradição DENTRO DA NCAA – entenda por que ao ler a nossa #1…

01. Silent Night (“Noite Feliz”)

Chegamos àquela que consideramos aqui no The Fraternity A TRADIÇÃO MAIS FODA DO COLLEGE BASKETBALL!

A “Silent Night” acontece todo ano na Taylor University na sexta-feira antes dos exames de fim de ano. Nessa noite, geralmente próxima do Natal, os alunos lotam o ginásio de Taylor fantasiados e ficam em total silêncio até que a equipe da casa marque seu décimo ponto – eles não falam uma palavra sequer e todos os pontos anteriores são celebrados apenas chacoalhando as mãos. Assim que o décimo ponto é marcado, o ginásio explode e o show começa! As fantasias são um show a parte e eu te recomendo fortemente que perca um tempo do seu dia vendo os vídeos do evento no YouTube. Nos momentos finais do jogo, a torcida toda ainda se junta e canta a clássica música Noite Feliz (que, em inglês, se chama justamente Silent Night).

A tradição nasceu nos anos 90 e é um sucesso desde então, já tendo sido eleita a melhor tradição universitária por diversos veículos de mídia. Vale notar que Taylor é uma universidade que compete pela NAIA, uma liga menor que a NCAA (e inferior), o que não tira de forma nenhuma o brilho da tradição, até porque Taylor fica no Indiana, um estado apaixonado pelo basquete.

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