Browse By

Bowl Season, uma boa hora para falarmos de stats

stanore

Em toda Bowl Season temos algumas equipes fortes enfrentando equipes fracas e às vezes nos deixamos enganar por estatísticas triviais, que são muitas vezes enganadoras. Neste texto, você vai entender por que algumas estatísticas não significam absolutamente nada, quais os fatores mais importantes de uma partida de college football e como mensurar isso. Vamos lá?

Veja também: Editorial – A Bowl Season como você nunca viu

Tudo começa na NFL…

Um exemplo típico que ouvir em transmissões de futebol americano profissional é “Time A tem um bom ataque, com uma média de 300 jardas por jogo, mas o Time B é melhor, já que tem 450 jardas por jogo”. Ora, isso é válido na NFL, em que os ataques são bastante parecidos e as defesas geralmente têm o mesmo nível – mas somente por isso que jardas totais (ou por jogo) são uma boa métrica de eficiência.

Já no college football, temos uma grande diversidade ofensiva. Ataques como os de Oregon e Baylor usam uma uptempo offense que cansa as defesas adversárias com uma enorme quantidade de jogadas, enquanto outros como os de Alabama e Stanford têm como foco um jogo corrido bastante físico que ajuda a controlar a posse de bola e gasta cada segundo disponível no relógio.

Por isso, no college football a quantidade de jardas conquistada num jogo ou numa temporada não quer dizer ABSOLUTAMENTE NADA a respeito de uma equipe. Um ataque como o de Oregon sempre vai ter mais jardas porque faz mais jogadas, mas isso não significa que necessariamente será um ataque melhor que o de Stanford, por exemplo.

Nem mesmo quando falamos das defesas. Como o ataque de Baylor faz muitas jogadas rápidas, sua defesa acaba ficando muito tempo em campo e, portanto, encarando muitas jogadas e cedendo muitas jardas – isso também não significa que a defesa seja ruim.

Fica aqui a lição mais importante em termos de estatísticas: Nunca use jardas totais para comparar duas equipes no college football!

bay

Uma nova maneira de olhar para os números

Se “jardas totais” não é uma boa maneira de avaliar uma equipe, por que estatística poderíamos substituí-la? Bem, a maneira mais fácil é emprestar um conceito bastante interessante do basquete: Dean Oliver foi o grande responsável por popularizar o uso de pontos por posse ao invés de pontos por jogo. Assim, no college football, a contraparte mais imediata seria jardas por jogada.

LEIA TAMBÉM:  Georgia e Georgia Tech - Ódio limpo e à moda antiga

Equipes que fazem mais jogadas, terão mais jardas – mas qual a produção delas em cada uma dessas jogadas? Isso abre toda uma nova forma de olhar para os números quanto falamos de futebol americano universitário: tratá-los não mais jogo a jogo e nem mesmo drive a drive, mas sim jogada a jogada – reduzindo a análise à única unidade comum a todas as equipes, independente de seus estilos ofensivos ou de quanto tempo elas passem em campo.

Pense nisso por um minuto e você estará pronto para chegar ao nirvana das estatísticas de college football: os cinco fatores.

Os Cinco Fatores

Um dos meus analistas favoritos, Bill Connelly, tem dedicado seu tempo ao estudo daquilo que ele chama de “Os Cinco Fatores” – aspectos que garantem a vitória numa partida. Aqui, não se trata necessariamente de cinco estatísticas universais, mas sim de cinco informações que podem ser obtidas através de uma gama de números, alguns melhores e mais precisos que outros.

Vamos falar de cada um destes fatores separadamente, usando os “pesos” atribuídos pelo próprio Connelly aos mesmos – vale frisar que o foco estará nos ataques, mas é possível fazer as mesmas analogias para as defesas:

  1. Explosividade (35%)
    Se uma equipe consegue jogadas de impacto (big plays), suas chances de vencer são maiores.
  2. Eficiência (25%)
    De nada adianta conseguir uma jogada de 40 jardas se no drive seguinte acontecer um three-and-out, certo? A eficiência de uma equipe complementa sua explosividade e mostra a capacidade de uma equipe se manter em campo.
  3. Finalização de drives (15%)
    Novamente, de nada adianta uma big play de 40 jardas e um first down logo em seguida se a equipe sair de campo com um field goal e não um touchdown.
  4. Posição de campo (15%)
    Uma big play de 40 jardas tem mais chances de render um touchdown se a equipe começar o drive na linha de 35 jardas do que se ela começar com as costas na parede, não é mesmo?
  5. Turnovers (10%)
    Único dos cinco fatores que realmente não pode ser controlado pelas equipes, turnovers podem ajudar a decidir um jogo.
LEIA TAMBÉM:  Preview: Final da Pac-12 - USC vs Stanford

Se achamos boas maneiras de medir estes cinco fatores (veja mais detalhes no texto original de Connelly, em inglês, neste link), conseguimos desvendar um pouco como será um determinado jogo e nos previews que lançaremos em conjunto com o Pro Football na nossa cobertura conjunta da Bowl Season, traremos duas estatísticas para o ataque e para a defesa de cada uma das equipes: a primeira delas mede a explosividade, justamente “jardas por jogada” (YPP – yards per play) que definimos acima e a segunda mede a eficiência, a chamada “taxa de sucesso” (SR – success rate).

Para se obter a taxa de sucesso, classificamos cada jogada da equipe ao longo da temporada como “sucesso” ou “fracasso” e calculamos a proporção de jogadas bem sucedidas. O que seria uma jogada de “sucesso”? Bem, isso depende da situação: quando esta conquista 50% das jardas necessárias numa primeira descida, 70% das necessárias numa segunda descida ou 100% das necessárias numa terceira ou quarta descida.

Como exemplo, podemos citar que o quando um ataque que produz 6,9 jardas por jogada enfrenta uma defesa que cede apenas 4,2, temos um matchup e tanto – algo que acontecerá quando DeShone Kizer e companhia estiverem marchando contra a forte defesa de Ohio State no Fiesta Bowl.

ndosu

Mais uma coisinha…

Um fato que não podemos negligenciar é a força da competição enfrentada durante a temporada. Quando consideramos stats com base em jogadas isso não é tão imprescindível assim, mas devemos lembrar que parte dos números é função imediata da tabela que a equipe encarou: uma equipe que enfrenta juggernauts da Big Ten como Ohio State e Michigan State tem uma dificuldade maior de conseguir bons números do que uma que enfrenta equipes da Sun Belt.

Apesar disso, os dados que usaremos nos nossos previews serão brutos: mais fáceis de entender e checar do que dados ajustados, sem contar que a diferença em termos de ranking não seria lá muito grande (eu fiz o teste usando a mesma metodologia que descrevi aqui e cheguei à conclusão de que dados brutos seriam tão bons quanto os ajustados – para SR e YPP apenas).

LEIA TAMBÉM:  Preview: Frisco Bowl - Louisiana Tech vs. SMU

Conclusão

Dos cinco fatores mais relevantes para explicar o college football, dois deles somam mais da metade da importância e é justamente neles que nos debruçaremos durante esta Bowl Season – nada de números preguiçosos e enganadores como jardas totais, que não significam ABSOLUTAMENTE NADA no college football!

 

Comentários

comments

One thought on “Bowl Season, uma boa hora para falarmos de stats”

  1. Pingback: Gameday: CFP National Championship – #1 Clemson vs. #2 Alabama | Pro Football: NFL e College Football fora da caixa
  2. Trackback: Gameday: CFP National Championship – #1 Clemson vs. #2 Alabama | Pro Football: NFL e College Football fora da caixa

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja também