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#FreeUAB: o sentimento que move uma universidade

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2 de dezembro de 2014. O começo de um duro período para a Universidade do Alabama em Birmingham (UAB).

Este foi o dia em que o programa de futebol americano dos Blazers chegou ao fim. O presidente de UAB, Ray Watts, alegou que o esporte estava causando prejuízos ao departamento atlético e que a decisão de acabar com o time era para o “bem maior” da universidade. “Da forma que olhamos a evolução do cenário do futebol americano na NCAA, vemos as despesas aumentarem de forma contínua. Considerando um modelo que melhor proteja o futuro financeiro e a proeminência do departamento atlético, o futebol americano simplesmente não é mais sustentável”, afirmou. Este argumento, no entanto, já foi desmentido pelo site Vice Sports.

Em uma coincidência infeliz, esta decisão aconteceu após uma das melhores temporadas da história de apenas 24 anos dos Blazers: o time terminou sua última temporada elegível para um bowl game (apenas pela segunda vez na história do programa) e dobrou sua média de público em relação a 2013, mesmo jogando no obsoleto Legion Field. O cancelamento do programa foi o anticlímax de um raro momento em que o futebol americano trouxe alegria e esperança à universidade. A reação dos jogadores ao saberem da decisão foi uma das cenas mais tristes da última temporada do college football.

UAB Football Players in Disgust #FREEUAB

Nada disso comoveu o Conselho de Curadores da Universidade do Alabama, apontado como o grande responsável pelo fim do futebol americano em UAB. Desde então, a decisão se mantém e não há previsão de volta do FA em Birmingham.

Para expressar a indignação com a escolha do Conselho, jogadores, torcedores e outros simpatizantes da universidade têm se dedicado a manifestar seu apoio ao programa de futebol americano de UAB nas redes sociais através da hashtag #FreeUAB. Fora da Internet, vários protestos já aconteceram em Birmingham e Montgomery (capital do Alabama), a fim de pressionar o Conselho de Curadores e o Legislativo estadual a reverterem a decisão. Meses depois, essa campanha ganharia novo fôlego.

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19 de março de 2015.

O Iowa State Cyclones, campeão do torneio de basquete da Big XII e seed #3 da chave Sul, perde para UAB por 60-59. UAB só garantiu uma vaga no March Madness porque havia vencido o torneio da Conference USA (C-USA) de forma surpreendente. O upset (vitória de um azarão sobre o favorito) dos Blazers em cima dos Cyclones foi uma das mais significativas desta edição do torneio. Apesar da derrota no jogo seguinte contra UCLA, os torcedores de UAB conseguiram recuperar parte do orgulho que haviam perdido desde que o time de futebol americano acabara.

Durante o jogo válido pela segunda rodada do March Madness, gritos da torcida pedindo a demissão de Ray Watts foram ouvidos.

No mesmo dia – momentos antes do jogo entre UAB e Iowa State, na verdade – os torcedores dos Blazers tiveram outro motivo para comemorar: três projetos de lei diretamente ligados aos interesses da universidade entraram na Assembleia Legislativa do Alabama; dois pretendem mudar a estrutura do atual Conselho de Curadores, o outro exige que UAB reative seu time de futebol americano e destine a verba adequada para isso. Os projetos ainda serão avaliados pelo comitê de Política Educacional do estado.

uabiowast

11 de abril de 2015.

Mais de 120 ex-jogadores de UAB foram ao Legion Field e participaram de um evento chamado “Sons of UAB” (Filhos de UAB), um spring game formado apenas por alumni da universidade. Com o programa de futebol americano fechado, os alumni tiveram de organizar tudo. Como não haverá nenhum jogo esse ano, o Sons of UAB tentou reproduzir a atmosfera de um típico sábado de college football, com direito a banda marcial e marcha dos jogadores até o campo.

sonsofuab“O significado mudou”, disse o ex-kicker Lee Miller, um dos porta-vozes do evento. “Ano passado, o objetivo era reconectar pessoas que pudessem se interessar pela retomada dos bons momentos do time… este ano, obviamente, não há um time oficial. Então, agora é algo como ‘Nós não queremos deixar isso acabar. Vamos continuar lutando. Há tristeza e abatimento sim, mas há também um raio de esperança para o futuro'”, completou Miller. O sentimento dele parece ser o mesmo do resto dos ex-jogadores e dos mais de mil torcedores que compareceram ao spring game não-oficial da universidade.

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O fim do futebol americano dos Blazers pode impactar diretamente o futuro dos esportes na universidade: por regra, todos os times da C-USA devem ter uma equipe na modalidade. Não se sabe ainda se UAB continuará na conferência na próxima temporada e nem por quanto tempo o time ficará sem representação no gridiron. A única certeza, por enquanto, é que os acontecimentos dos últimos dias fizeram com que a esperança pela volta do futebol americano em Birmingham ficasse ainda maior.

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A grande esperança, seja dos torcedores dos Blazers ou dos fãs de college football como um todo, é de que uma nova data venha a marcar a história recente de UAB – desta vez, com o time de futebol americano de volta.

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